Com o nariz avantajado, minha voz extravazava que uma das principais funções do pensamento, era explorar o nosso entendimento a partir de nossas vontades. Já ela, dizia que pensar era um instrumento no qual podíamos tocar com a força que quiséssemos, com o ritmo que desejássemos e com a altura que bem entendêssemos.
Já não havia mais outra maneira correta que pudéssemos definir o pensar, então o coração entrou no debate e disse a ela :
- Alma, o pensamento é como uma brecha que há no meio de uma ponte.
Depois, disse a mim.
- Corpo, você é quem terá de sofrer para ultrapassar essa mesma brecha.
E por fim, conclui a nós :
-Pensar, é a forma mais fácil de exercitarmos nossa força e nossa imaginação, com o objetivo de alcançar o melhor, e tudo isso sem me machucar.
Esta ponte que eu disse que você, corpo, terá de atravessar, resulta em mim. E essa brecha que há no meio dela é a forma mais simples de você, alma, fugir. Quando a alma não suporta mais os selos de dor que o corpo lhe coloca, só lhe resta fugir por brechas que diminuem sua dor, mas que continuam lhe machucando.
O corpo tem atravessar essa brecha para que muitas vezes, não venha a cair assim como a alma, e quando ele chegar até mim, talvez, minhas correntes sanguíneas já não estejam mais funcionando, e as minhas batidas, talvez, já não farão mais "tum-tum, tum-tum", porque quando a espécie humana descobrir que o pensamento é fundamental, nada do que é movido a sentimentos existirá, pois tal insensibilidade já terá demolido tudo.
Alisson Campos.
